Turismo de Aventura

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Classificações das atividades de ecoturismo e aventura

O turismo de aventura tem se despontado como uma das maiores atividades globais do setor turístico. No Brasil o número de praticantes cresce exponencialmente a cada ano, fazendo com que o setor contabilize cifras expressivas de movimentação financeira, deixando de ser uma atividade meramente turística ou recreativa para se tornar um grande negócio.

Em torno deste setor gira uma  verdadeira “indústria”, formada por agências de turismo, empresas de transportes, fabricantes de equipamentos e acessórios, entidades governamentais e não governamentais, empresas de saúde, associações e milhares de especialistas  que, cada qual em sua área de atuação, trabalham para a promoção da atividade e a execução dentro de normas e regulamentações que visem a segurança e o gerenciamento de riscos pessoais, coletivos e ambientais,  inerentes a cada modalidade.

Uma das primeiras definições para esportes e turismo de aventura no Brasil, surgiu em Caeté – MG em 2001 – durante a elaboração do Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável do Turismo de Aventura, e define a atividade como sendo:

Segmento de mercado turístico que promove a prática de esportes de aventura e recreacional, em ambientes naturais e espaços urbanos ao ar livre, que envolvam riscos controlados exigindo o uso de técnicas e equipamentos específicos, adoção de procedimentos para garantir a segurança pessoal de terceiros e o respeito ao patrimônio ambiental e sócio cultural.

Em consonância com os esportes de aventura, complementa-se a atividade de ECOTURISMO, que tem pela a  EMBRATUR, a seguinte definição: “segmento de atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações envolvidas”.

Portanto, são considerados esportes de aventura e ecoturismo as atividades que envolvem a prática esportiva sem competição, para interação e ou contemplação da natureza:

  • Arvorismo
  • Balonismo
  • Boia-Cross ou Acqua Ride
  • Body Boarding
  • Bungee Jump
  • Caminhadas
  • Canoismo / Caiaque
  • Cavalgadas
  • Cars off-Road ( a motor “em passeio” – Jeep´s / Gaiolas/ Triciclos / Motos)
  • Ciclismo
  • Escalada
  • Espeleologia
  • Flutuação ou Snorkeling
  • Mergulho
  • Montain Bike
  • Montain Trail  (Corridas em montanhas)
  • Montanhismo
  • Off-Road (veículos a motor “em passeio” – Jeep´s / Gaiolas/ Triciclos / Motos)
  • Paraquedismo
  • Rafting
  • Rapel
  • Surf
  • Tirolesa
  • Trekking
  • Vôo livre (Asa Delta / Parapente)

Entre as características e benefícios do turismo de aventura estão:

  • Interação com elementos do meio ambiente, consciência ecológica e sócio-cultural
  • Exposição individual a desafios para elevação de auto-confiança e auto-estima
  • Reflexão e auto-conhecimento
  • Aprimoramento das habilidades de convívio interpessoal

A evolução do turismo de aventura no Brasil

Segundo a OMT – Organização Mundial de Turismo, o Brasil é considerado o segundo maior polo de turismo ecológico do mundo em virtude da vasta diversidade natural e está hoje inserido neste mercado que cresce mundialmente a uma taxa de média de 20% ao ano.

O Brasil ingressou de vez neste setor a partir do ano de 2.001 quando o Ministério do Turismo passou a abranger o tema em seu planejamento dando os primeiros passos no sentido de estabelecer normas e regulamentações ao setor.

Atualmente o país conta com mais de 230 pontos de referência para a prática de turismo de aventura e mais de 3.000 organizações que oferecem serviços e produtos para todas as modalidades.

No quesito perfil dos praticantes, a distribuição por sexo apresenta relativa diferença (65% masculino contra 35% feminino), já na questão de faixa etária existe uma prevalência entre pessoas de 17 a 37 anos, entretanto, as atividades vem ganhando  crianças e pessoas mais velhas como adeptos, em função da promoção de atividades recreativas e educativas por parte de instituições de ensino, promoção de treinamentos empresariais e sobretudo pela opção de lazer das famílias.

Uma pesquisa do Ministério do Turismo com praticantes de esportes de aventura durante a edição da Adventure Sports Fair / 04  objetivou a verificação da frequência da pratica por modalidade e apresentou o seguinte resultado:

pesquisa MTur frequencia pratica modalidade

Gerenciamento de Riscosdreamstime capacete e corda de segurança

Não há como desassociar a pratica de esportes de aventura com a possibilidade de riscos e perigos eminentes, e considerando o rápido crescimento do número de praticantes, o tema tem atraído a atenção de órgãos governamentais e não governamentais no sentido de promover ações preventivas a acidentes.

Entre os principais fatores para eventos de acidente estão:

  • desconhecimento da modalidade e dos riscos inerentes a determinada modalidade
  • falta ou má avaliação de capacidade corporal para esforço físico
  • desconhecimento de doenças pré-existentes
  • roupas e calçados inadequados
  • desobediência a sinais e placas de sinalização e advertência
  • desconhecimento de técnicas e utilização de equipamentos de proteção e segurança
  • autoconfiança em demasia
  • pouco ou nenhum planejamento
  • desconhecimento do local e região onde se pretende praticar esportes de aventura
  • desatenção ou má avaliação aos sinais de intempéries atmosféricas
  • ausência de comunicação preliminar sobre roteiros e trajetos
  • ausência de observação aos ensaios de segurança de equipamentos e acessórios (sobrecarga aplicada, conservação, manutenção, fadiga e obsolescência)

Infelizmente o Brasil não possui um cadastro nacional de informações sobre acidentes gerados em situações de esportes de aventura. A informação mais próxima deriva de uma pesquisa realizada pelo Ministério do Turismo que obteve informações de relatos pessoais e divulgados pela imprensa, além de uma pesquisa de campo junto a postos de saúde, hospitais, corpo de bombeiros e delegacias de polícias, nas regiões mais procuradas pelos praticantes dos esportes de aventura.

Constata-se que 80% dos acidentes acontecem em terra e 17% em água.

A maior prevalência são acidentes com lesões leves sem a necessidade de hospitalização, neste grupo estão torções, fraturas, cortes, entre outros.

Nos fatores de hospitalização para observação ou tratamento, estão eventos ligados a súbita insuficiência respiratória ou cardíaca, ataques de abelhas e animais peçonhentos como cobras e escorpiões.

A escolha por locais de difícil ou nenhum acesso a equipes de resgate e salvamento também potencializa em muito as consequências do evento, podendo gerar lesões irreversíveis ou óbitos.

As modalidades que apresentam maior incidência de eventos com acidentes são:

incidencia de acidentes por modalidade

Normatização e Regulamentação – ABNT – NBR –  15331:2005

Em função da expansão do setor, o governo instituiu através da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, um conjunto de normatizações de procedimentos que visa garantir a oferta e execução de turismo de aventura dentro de padrões de qualidade e segurança.

A norma ABNT NBR 15331:2007 é o documento oficial que rege as atividades de Gestão de Segurança de todas as organizações que atuam no setor de turismo de aventura, e soma-se em sua composição  às normas voltadas a Gestão de Qualidade (ISO 9001) e Gestão Ambiental (ISO 14001).

A normativa é direcionada para as empresas organizadoras de turismo de aventura (agências / operadoras) e determina que estas organizações mantenham um Sistema de Gestão de Segurança contemplando em linhas gerais:

  • Definição clara dos produtos e serviços ofertados, bem como dos locais indicados para a prática
  • Definição clara das modalidades de esporte e a classificação de riscos inerentes a cada qual
  • Política de segurança que permita identificação de perigos, avaliações e controle de riscos
  • Produção de registros históricos que possibilitem análise estatística para ações de prevenção e ou tratamento de causas
  • Controle de documentação
  • Fluxo de processo para tratamento de riscos
  • Manutenção de recursos e infraestrutura apropriados
  • Educação continuada para treinamentos e conscientização de funcionários e colaboradores
  • Plano de contingência para emergências
  • Monitoramento do desempenho de segurança
  • Manutenção de registro de incidentes e eventos de não conformidade
  • Auditoria interna

Referências bibliográficas

– Ministério do Turismo; www.turismo.gov.br;

– ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas; ABNT NBR 15331

– EMBRATUR – Instituto Brasileiro de Turismo ; www.embratur.gov.br

– M Tur; Relatório Diagnóstico – Regulamentação Normalização e Certificação em Turismo de Aventura

– Guia 4 Rodas; www.guia4rodas.abril.com.br

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