Uma prosa na antiga estação Docas de Belém – PA

Quem chega a Belém é rapidamente atraído pela beleza natural que margeia a cidade através da baía de Guajará e Rio Guamá. Desses dois pontos saem barcos de passeio que levam visitantes a lugares de paisagens incríveis como : Igarapés de regiões Ribeirinhas, a Orla de Icoaraci, Mangal das Garças e Ilha do Papagaio.

Em terra firme,  a cidade oferece outros tantos pontos turísticos como o “Theatro da Paz” – o mais antigo teatro da amazônia, o complexo Ver-o-Peso onde se encontram a feira do Açai, a praça do relógio e o mercado municipal, e a  antiga estação Docas de Belém, revitalizada para abrigar um grande complexo cultural e gastronômico. E e foi daí – em boas e longas horas de prosa com meu amigo Roberto Bezerra – que eu tirei a foto abaixo para registrar o pôr-do-sol.

Dizem que uma imagem fala por si só, mas ao publicá-la aqui no blog eu estava ouvindo uma entrevista do escritor Paulo Bonfim à radio bandeirantes. Membro da academia paulista de letras e aos 88 anos de idade,  esbanja vitalidade para a realização de inúmeras obras, – e sem que ele saiba – utilizei de uma delas e o convidei para assinar a minha foto neste post.

DSC_0482

SONETO I

Venho de longe, trago o pensamento
Banhado em velhos sais e maresias;
Arrasto velas rotas pelo vento
E mastros carregados de agonias.

 

Provenho desses mares esquecidos
Nos roteiros de há muito abandonados
E trago na retina diluídos
Os misteriosos portos não tocados.

Retenho dentro da alma, preso à quilha
Todo um mar de sargaços e de vozes,
E ainda procuro no horizonte a ilha
Onde sonham morrer os albatrozes…

Venho de longe a contornar a esmo
O cabo das tormentas de mim mesmo.

 

                                                                                                                (Paulo Bonfim)

 

 

 

 

Deixe um comentário